quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Alerta de forte instabilidade por ciclone subtropical




Quinta-feira 29/01/2009 15:11

MetSul mantém alerta de forte instabilidade por ciclone subtropical após chuva de quase 300 milímetros que provocou destruição e mortes no Sul

Chega já a quatro o número de mortos pelas inundações na região de Pelotas. O trânsito foi liberado na BR-116 para a maior cidade da Metade Sul gaúcha, mas diversas outras estradas da região seguem bloqueadas. Esta área localizada do Sul do Estado literalmente saiu da seca para a enchente em menos de 24 horas em evento extremo de chuva nal regisemelhante ao que se produziu no Nordeste gaúcho entre os dias 2 e 3 de maio de 2008 durante a atuação de um ciclone extratropical na região que chegou a apresentar brevemente características subtropicais. Já o episódio extremo e regional de agora está associado a um sistema de baixa pressão em processo de intensificação que diagramas de fase dos modelos indicam pode se converter em ciclone subtropical entre amanhã e sábado.

A calamidade enfrentada nesta quinta-feira por diversas comunidades da região de Pelotas e da parte meridional da Lagoa dos Patos fica fácil de ser compreendidas quando verificados os números de precipitação em 24 horas. A chuva de um dia acumulada até hoje de manhã somava 278,2 milímetros na estação meteorológica da MetSul Meteorologia no município de Morro Redondo. Já os pluviômetros da Defesa Civil Estadual acusaram em 24 horas, até o começo da manhã de hoje, 180 milímetros em Arroio Grande, 110 em Barra do Ribeiro, 96 em Camaquã, 84 em Canguçu, 247 em Cerrito e Pedro Osório, 125 em Cristal e 160 milímetros em Herval.

Ciclone subtropicais, que reúnem características de ciclones tropicais e extratropicais, são de deslocamento mais lento e no Atlântico Norte chegam a ser identificados por nomes, uma vez atingida a velocidade do vento sustentada compatível com uma tempestade tropical. No caso até o momento deste sistema de baixa pressão de agora, os efeitos têm sido muito maiores quanto à chuva muito intensa localizada do que pelo vento que até agora tem se limitado a apresentar maior intensidade na área do Chuí. As rajadas têm estado na região acima de 80 km/h por muitas horas com pico de até 87 km/h no meio da manhã. O vento deve aumentar no final da sexta e principalmente no sábado com rajadas fortes a ocasionalmente intensas, sobretudo no Sul e no Leste gaúcho.

Predominam por enquanto características mais de ciclogênese tropical do que extratropical. O posicionamento do vórtice da baixa sobre o Uruguai e o Sul gaúcho manterá estas regiões sob fortes a torrenciais precipitações nas próximas horas. No Chuí, por exemplo, a precipitação de hoje já soma 130 milímetros. Entre amanhã e sábado a baixa deve melhor de definir a Sudeste do Rio Grande do Sul e no Leste do Uruguai, intensificando-se sobre o Oceano Atlântico. O lento deslocamento do vórtice associado à presença de ar quente e úmido sobre o Estado manterá o risco de pancadas de chuva fortes a intensa com possibilidade de temporais no restante desta quinta e ainda na sexta-feira no Rio Grande do Sul. A sondagem de Porto Alegre da manhã de hoje indicou altos índices de instabilidade. O posicionamento do vórtice nos leva a crer que as áreas de maior risco no Estado serão aquelas do Centro para o Norte o Leste do Rio Grande do Sul, incluindo toda a faixa leste da geografia gaúcha. Instabilidades fortes podem afetar ainda, além do Rio Grande do Sul e o Uruguai, também Entre Ríos/Santa Fé e os demais estados do Sul do Brasil. A presença do sol na maioria das regiões devido à variação de nebulosidade proporcionará a elevação da temperatura, acentuando a convecção. Sob o ambiente de ar quente, muito úmido e bastante instável não se pode afastar o risco de tempo severo muito isolado, inclusive com chance de atividade tornádica. Estas formações de tempo severo, com chance de granizo e vento forte, reitera-se, devem ser muito isoladas e podem estar associadas a nuvens extremamente carregadas como as registradas ontem no Noroeste gaúcho nas fotos de Ricardo Bourscheid.



Entre sábado e domingo, o sistema deve explodir em intensidade sobre o Atlântico Sul à medida que se afasta rapidamente do continente no sentido Sul-Sudeste pelo Atlântico Sul. A circulação de umidade ainda proporcionará instabilidade no sábado que ainda pode ser forte. Ao se deslocar pelo Atlântico Sul, em latitudes mais altas, o ciclone já extratropical impulsionará ar mais frio e seco para o Estado que ao avançar sobre o ar quente no Sul do Brasil pode dar origem a um ramo frontal frio secundário, o que pode resultar em instabilidade localizada e forte no sábado. Já no domingo o tempo voltaria a ficar mais seco no Estado, mas ainda pode ocorrer instabilidade no Leste.
Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 29/01/2009 15:11

Fonte: Metsul

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